A passagem de tempo interna de cada um e a externa, coletiva, as distintas temporalidades convivendo nos contrastes da cidade, o tempo de espera no ponto de ônibus, no vagão do metrô, o edifício que derruba o outro, a árvore que tem cem anos e resiste. Observando a cidade vemos o tempo todo a oposição do movimento versus a passividade. Mas a passividade pode estar mesmo no corre-corre desenfreado da cidade, em uma grande avenida, enquanto o movimento se dá num banco de uma biblioteca, como se sentar-se para ler um livro nesta cidade fosse um ato de resistência. Vemos diferentes modos de tempo simultâneos, diferentes formas de esperar ou des-esperar. O tempo vertiginoso e o vagaroso. Distintas modalidades sugerindo a ideia de limiar, de diferença e transição. 

 

Em “Retalhos de Espera ou Como Um Dia Come O Outro” apresentaremos, de maneira interativa, fragmentos de Espera que devem ocorrer simultaneamente, espalhados pelo espaço; de maneira que apenas aos poucos é que o público irá percebendo a conexão entre eles, até o ponto em que essas ações, deslocando-se, irão se encontrar em um espaço comum.

Direção: Erika Coracini

Dramaturgia: Alexandre Krug

Performers: Ana Carolina Casagrande, David Carolla, Felipe Romon, Rafael Caldas,Ivan Zancan, Renata Asato, Lara Thomaz, Carolina Moreira, Erika Coracini.

Criação Musical: Charles Raszl

Desenhos: João Correa

Direção de Arte: Ivan Zancan

Retalhos de Espera ou Como um Dia Come o Outro

5 programas performativos que acontecem em espaços distintos, podendo ser adaptados de acordo com as condições/limitações de cada ambiente:

 

 

1. GARRAFAS AO MAR – instalação interativa

Ambiente com garrafas penduradas e distribuídas pelos espaço, dentro de cada uma, uma carta de alguém, cartas lançadas ao mar. Um visitante encontra ou é encontrado por uma garrafa, lê em voz alta, como recebe essa carta? Espaço para escrever cartas e colocá-las numa garrafa. As garrafas navegam. Textos inspiradores: “A Desumanização”, Walter Hugo Mãe; “O Velho e o Mar”, Ernest Hemingway.

2. DERIVA

Grupo de pessoas andando muito lentamente, num Tempo deslocado do cotidiano. Por entre elas passa alguém falando ao celular com muita pressa, está a procura ou a espera de alguém, atrasado. Passa e vai longe, até os confins do espaço, volta e passa por entre eles novamente, na outra direção, vai até os limites do espaço. Após algumas passagens se incorpora ao grupo que caminha lentamente. Outra pessoa começa a correr e a falar, a cena se repete, e o grupo continua caminhando lentamente. Texto inspirador: “O Imortal”, Jorge Luis Borges.

3. ÔNIBUS

Grupo repetindo em moto-contínuo uma coreografia de entrar e sair de um ônibus apertado, até que em um dado momento as partituras aumentam de velocidade e explodem, dando vazão a uma música “surda” pela liberdade. Texto inspirador: “A Autoestrada do Sul”, Julio Cortázar.

4. CAIXAS – instalação interativa

Um homem sentado numa mesa, a sua vida dividida em caixas: na caixa vermelha as “palavras furiosas”, na verde, as “palavras amantes”, na caixa azul, as “neutras”, na amarela, as “tristes”, e na caixa transparente as palavras ”mágicas”. Ele permanece sentado, à espera. O público é convidado a escolher palavras das caixas, ou a combiná-las , Então, o homem conta algo de sua vida passada, presente ou futura, a partir das palavras escolhidas. Texto inspirador: “Mulheres”, Eduardo Galeano; “A Última Gravação de Krapp”, Samuel Beckett.

5. LINHAS E FIOS

Pessoas ligadas por um fio, uma dança? Fios que se cortam ou se interpenetram, a vida fluida ou vivida na tensão dos fios? Como o que uma pessoa faz ou deixa de fazer influi na ação da(s) outra(s)? Texto inspirador: “A Colheita”, Nélida Piñón; “Os Leques Trocados”, Yukio Mishima.

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